sexta-feira, 27 de abril de 2012

Transe


Foi um simples abraço,
como um só abraço pode ser...
Um abraço simples e singelo
mas, que me tomou num laço
que dentro de si continha
todos os sonhos do mundo…

Apanhou-me o inesperado e puro passo
em frente firmemente dado,
sem medo, sem pudor, em pleno abraço...
Tão sentido foi, que eu
com ele fui nesse espaço,
na viagem do seu passo...

Até hoje espero a descida
á Terra!...
…desaparecida,… nos braços desse abraço…

Preciso voltar para ver o rosto
de quem me fez laço!
Por favor, dá-me outro…abraço?!

27 de Abril, 2012
01:15h








sábado, 21 de abril de 2012

Os vários estados do sentir


Os vários estados do sentir

Conversa puxa conversa e, de entre vários temas, há um que nos persegue há décadas: O que é Amar? O que é Paixão? Amar significa estarmos apaixonados?

Eu divido o sentir em vários estados:

O “gosto de ti” – aquele estar porque se está bem, até se gosta! Não nos faz mal…também não é que nos faça propriamente bem mas, como mal não faz, estamos! Gosto de ti porra, estais a ver?! Há quem lhe chame de “amizade colorida”, não gosto particularmente da expressão mas, há falta de melhor…fica! Tem por resultar em verdadeiras amizades longas e profundas pois, tendo a vantagem de não haver nada a cobrar nunca, de parte a parte, e da cena ser só ocasional e entre cabecinhas bem resolvidas, quando termina fica o que deu origem, uma amizade á séria, daquelas que sabemos que está lá mesmo que esteja longe da vista.

O “tesão” – é aquela cena de sempre, logo que os olhos caem uns nos outros não se deslargam mais, vai tudo até ao fim, numa consumição de chamas até o incêndio se extinguir…e sempre, sempre igual, não tem assunto, só sexo, puro, do bom, mas nada mais além disso. Por vezes deriva para Paixão, dá em casamento e acaba…mal!!! Não tem base alguma, nem de apoio nem de continuidade…é como o fósforo, só dura enquanto há pau…e ele os há longos…infelizmente…nestes casos, pois depois não entendem porque a “coisa” deixou de ter sentido, nem o sexo já é bom, diálogo impossível, recriminações constantes…tolerância zero. È tipico ser com parceiros já em relações do tipo “estou porque sim ou porque nem sei” e tem por durar, dependendo do “pau”, algum tempo pois acaba sendo um escape da rotina do frigorífico…a tradicional pulada de cerca já nos “entas” quando dá muito trabalho procurar parceiros/as  alternativos/as e então mantém-se o mesmo ou mesma um bom par de anos…também acaba mal…vira, muitas vezes, um segundo casamento pois a mulher terá tendência para “encostar” o cromo á parede e este, já fartinho da prisão de casa, quer é dar de frosques mas enquanto a queca for jeitosa, vai-se deixando ficar…

O “estou porque sim ou porque nem sei” – este é o mais comum e o mais complicado… começa, geralmente, porque se é amigo de escola, ou do amigo da amiga ou vice-versa, ou os pais “fazem gosto”…não tem “gosto de ti” nem “tesão” e a malta vai ficando por hábito e rotina e também porque, a coisa já dura há tanto tempo que o passo seguinte é o tradicional casamento por obrigação…resulta, sempre, em mulheres deprimidas e maridos infiéis, não só a elas, mas a si mesmos…não se deram tempo de ser felizes…responsável pelo florescente negócio do antidepressivo e da pastilha p’ra ansiedade…

A “paixão” – ora cá estamos a entrar na dita cuja, a tida como causadora de todos os males…ou não! Esta surge apenas para confundir os cérebros, nada mais que isso! Pode derivar de um tesão mal resolvido e, por carência do momento, levar o people a pensar que está “apeixanado”…a única diferença entre ela e o tesão é que aqui há aquela dependência assustadora, tipo droga, não se consegue pensar em mais nada, acha-se o outro o nosso mundo, sem o qual não se sobrevive, o coração enfarta a cada momento, tudo que o outro diz é interpretado das mais estapafúrdias formas, de maneira a satisfazer os nosso devaneios mentais e físicos e a cena da traição está presente em cada esquina…não tem base alguma, foi alguém que nos apresentou ou os próprios tomaram a iniciativa por irresistência mútua, a cena colou de tal forma que não dá para despegar, seja lá como for! Tem sempre resultados catastróficos porque dá azo ás maiores confusões cardíacas e de Alma, e isso é sério, muito sério! São aqueles casamentos que derivam em violência física, não se compreende o outro e só se sabe o que ele é e nada do que foi…pudera! Sem bases de crescimento onde pôr um pé, uma mão! Acabado o tesão, o que fica? Pois, nada…e aí começam as acusações diárias o atirar á cara, as cenas de drama conjugal, geralmente da mulher com traços de tragédia grega…esta paixão é a mãe da maioria das nossas crianças de hoje…a coisa só termina bem quando se compreende que o ardor acabou, está gasto e o melhor é separarem-se com um até qualquer dia destes, mas isso é muito raro!

O “amor” – “é fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente, é um descontentamento descontente, é um andar perdido entre a gente.” Se querem saber a minha humilde opinião, e embora eu considere Camões o maior poeta de todos os tempos, acho que, neste campo, o rapaz estava a fazer a tradicional confusão com paixão, o que é bastante comum…O Amor, tal como tudo que é eterno, não se anuncia nem faz alarido de que veio para ficar. Apenas chega, instala-se e nunca mais se vai embora, e quando digo nunca é mesmo assim, para toda a vida e ainda para as que iremos viver a seguir, não nos abandona mais e fica connosco eternamente. Chega de mansinho, na forma de um amigo dedicado que nos estende a mão, o ombro e o que mais houver, nunca nos promete nada nem pede nada em troca, a felicidade do outro é o mais importante, nem que para isso seja longe de nós e com outro alguém! É verdadeiramente altruísta, genuíno, companheiro e sempre presente. Nada de enfartes nem de sensações de perda, apenas paz, tranquilidade e aquela certeza de que estamos em casa. Adivinha cada um dos nossos pensamentos e satisfaz-nos a cada segundo com momentos de puro deleite, seja de risos de lágrimas, de alegrias ou tristezas, nunca nos largando a mão, mesmo longe está sempre perto e recebe-nos sempre de braços abertos. Quando é preciso, puxa-nos para o chão, acorda-nos para a realidade, dá-nos uns valentes tabefes, mas sempre com amor…quando se intensifica sente-se aquela saudade da ausência, aquela dor de parte de nós que não está mas que facilmente se cura com um simples telefonema ou uma troca de olhar sempre cúmplice, sempre sabedor. Cumplicidade é a palavra de ordem aqui, á a outra base do amor, é o passar á segunda parte, o falar com os olhos, um toque leve nas mãos ou um gesto pleno de significado que só os dois reconhecem como seu. A 1ª parte...ainda não perceberam??? Pois tá claro, é a mais pura e sincera e verdadeira amizade! Para mim, Amor é amizade, um não coexiste sem o outro, nem nasce, nem cresce, nem faz sentido…senão pensem comigo, o que sentem pelos filhos, pelos pais, pelos verdadeiros amigos? Pois é…ao invés de usarem a palavra amigo em vão passem a usa-la com discernimento e, estejam atentos pois, nunca se sabe se aquele amigo não será o nosso verdadeiro Amor! Nem sempre passa á segunda parte, por que não tem de passar ou porque a pele não combina, ou porque, o mais provável, é arrebatado por uma qualquer paixão amalucada e depois perde-se…fica a amizade que é sempre fantástica e de preservar. Mas nos raros casos em que as almas se conjugam e falam a mesma língua…deve ser o tal viver nas nuvens…digo deve ser porque ainda não o vivi pois acredito que só nos aparece uma vez em cada vida e, como é eterno, quando o deixamos passar, não volta, só na nossa próxima viagem intemporal...

Em conclusão, querem amar e ser amados? Então comecem por ser verdadeiros amigos de quem vos estende a mão…

21 de Abril, 2012
19h

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Terra do Nunca

Nunca pensei vir a conhecer-te
através das palavras que escrevo;
nunca pensei em viver,
através da melodia,
o segredo que me darias a descobrir,
como consentisses, por fim,
que o teu silêncio falasse
e,
viajando dentro de mim,
nas minhas mãos caísse
e se escrevesse assim.

Foste, momento a momento,
convidando-me a entrar,
no teu mundo,
no teu espaço,
que,
no cimo se esconde,
como um pedacinho de céu
do qual ninguém sabe onde,
apenas que ele é só teu!

Nunca pensei senti-lo,
como se sente o aconchego
no olhar de alguém que reflecte
total ausência de medo

Nunca pensei que me deixasses
entretida a deambular
pelos teus segredos espalhados,
em pautas e livros pintados,
e,
de repente, alados,
chamam por mim,
descarados,
a sorrir,
a correr,
a gritar!

E tu,
continuas absorto,
concentrado em mais um traço,
sem te dares conta que eu,
surpresa,
voo no espaço,
que eles me levam num sonho,
de dourados e azuis,
o abraço...

E tu viras Peter Pan,
e voas p'ralém de ti
e,
quando me estendes o braço,
vejo o Mundo num pedaço,
de um Paraíso,
o cansaço,
que agora também é meu...

E ao som de mil e uma notas,
voltamos a subir na Lua,
e,
como felizes idiotas,
sem querer saber porquê,
rebolamos na relva nua
de lugares que ninguém vê...


05 de Abril, 2012