quinta-feira, 5 de abril de 2012

Terra do Nunca

Nunca pensei vir a conhecer-te
através das palavras que escrevo;
nunca pensei em viver,
através da melodia,
o segredo que me darias a descobrir,
como consentisses, por fim,
que o teu silêncio falasse
e,
viajando dentro de mim,
nas minhas mãos caísse
e se escrevesse assim.

Foste, momento a momento,
convidando-me a entrar,
no teu mundo,
no teu espaço,
que,
no cimo se esconde,
como um pedacinho de céu
do qual ninguém sabe onde,
apenas que ele é só teu!

Nunca pensei senti-lo,
como se sente o aconchego
no olhar de alguém que reflecte
total ausência de medo

Nunca pensei que me deixasses
entretida a deambular
pelos teus segredos espalhados,
em pautas e livros pintados,
e,
de repente, alados,
chamam por mim,
descarados,
a sorrir,
a correr,
a gritar!

E tu,
continuas absorto,
concentrado em mais um traço,
sem te dares conta que eu,
surpresa,
voo no espaço,
que eles me levam num sonho,
de dourados e azuis,
o abraço...

E tu viras Peter Pan,
e voas p'ralém de ti
e,
quando me estendes o braço,
vejo o Mundo num pedaço,
de um Paraíso,
o cansaço,
que agora também é meu...

E ao som de mil e uma notas,
voltamos a subir na Lua,
e,
como felizes idiotas,
sem querer saber porquê,
rebolamos na relva nua
de lugares que ninguém vê...


05 de Abril, 2012

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