sábado, 29 de julho de 2017

Amor consentido

Olho para dentro de mim
que vejo eu?
Meu olhar perdido
num ver sem fim,
mar aberto
de ondas sofrido
nas mãos um deserto
sombras de jasmim...
Sinto o calor do sol
a envolver o meu corpo
dorido,
sofrido,
carente de abrigo,
mergulho num copo morto
meu lábios secos de um beijo,
desejo,
sentido...
Oiço um riso cristalino
eis ele que chega,
meu ensejo,
meu pequeno,
meu tesouro,
meu querido!
Para ele elevo um abraço demorado,
sentido,
sacudo a cabeça e sorrio
um sorriso molhado
neste abraço apertado
de um amor
consentido...

terça-feira, 25 de julho de 2017

Viagem

Queres viver contra o tempo
ele não é teu amigo
pára e pede ao céu
um sinal,
um lugar contigo
ruma junto á margem
não te deixes levar por ele
descobre um abrigo

...faz essa viagem mas,
vai sempre
tem sempre
o rumo,
a luz em ti,
não te percas sempre
não te voltes contra a voz
dentro de ti

Já soltaste as amarras
já as velas enfunadas
com o astrolábio em riste
vais em águas velejadas
agarra forte no leme
posso ser rosa dos ventos
eu sempre com norte
e tu sempre sem tempo



10 Abril 2012
2h

Fuga

Vives sempre a fugir
para não sentir a pele
dás-lhe a mão pra sentir
a vida a fugir
perdido na noite
em vielas rasgadas
acordas em manhãs
de fogueiras a arder

Tu és as sombras
de dias já sem madrugada
tu és os olhos
de quem não te quer ver chorar

Vives sempre á frente
das historias que deixas pra trás
amar dormente
a vida não te satisfaz
corres perdido
encontras-te nas mãos vazias
de um tempo pra sempre esquecido
nas mãos de quem te sentia...


15 Abril 2012
12h

Tu e Eu

Escreve-me um poema
com música de luar
percorre-me os cabelos
com olhos de agarrar

Inventa comigo,
mostra-me outra vez
que já és meu abrigo
não me deixes pairar
agarra-me ao chão
faz-me viajar

Compõe-me um soneto
com estrofes de amor
naquele coreto
já não reina a dor

Inventa-me histórias
de reis e sultões
nas tuas memórias
eu quero estar
embalada em versos
de céu e de mar

será sempre assim
tu e eu
melodias em mim
será sempre assim
eu e tu
sem sentir o fim
será, será assim
assim e tu e eu sem fim
vieste
pra mim...

Uma Vez

Uma vez conheci-te
há muito tempo atrás
outra vez descobri-te
em tempos que já não se faz
vivemos o tempo a correr
já nem soubemos falar
perdemos cada momento
sem prazer,
em caminhos,
em mar

Eu sinto que estou
estou junto a ti
eu sinto que vou
a caminho de mim
eu que sinto que és
parte de nós
o mundo a teus pés
cantas-me a voz

Voltei a rever-te
em ruas do Porto
voltei a beber-te
já não eras morto
senti-te mais eu
mais dentro de mim
e qual Prometeu
voaste por fim

Eu sinto que estou
estou junto a ti
eu sinto que vou
a caminho de mim
eu que sinto que és
parte de nós
o mundo a teus pés
cantas-me a voz

10 Abril 2012
1:30h

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Identidade


Desnuda
exponho meu olhar,
meu regaço,
um mar,
um laço,
nó apertado no peito,
sinto o peso do cansaço
de noites dormidas sem leito...
À espreita,
uma luz
dá a mão,
seduz
num beijar sem razão...
Abandono os meus segredos,
sem forças,
sem medos
Voam pensamentos soltos...
Livre!
Respiro a verdade,
quero subir num momento,
sentir no rosto o vento
da minha identidade...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Existência

Simplesmente eu!
Assim,
sem máscara!
Presente em mim
sem fado,
meu corpo alado,
o meu ser, diáspora,
viajante solta
nas brumas do meu pensamento,
meu olhar molhado
vagueia pela cidade revolta,
perdido num mar devorado
pela minha vontade premente
de voltar para o teu lado
embalada na melodia
de um céu estrelado
Assim, junto a mim
eu persisto
nesta minha existência
de viver este meu fado
na dor da tua ausência...