segunda-feira, 5 de junho de 2017

Obsessão

Corpos de mulheres despidos,
de sentido desprovidos, de rosto, de costas voltadas,
suas lascívias pintadas
em rasgos de teorema,
histórias em imagens calados,
em sujas salas de cinema

Mãos em garras aflitas,
arrancam, p'ra dentro da tela,
almas de mulheres proscritas,
de corpos usados,
malditas,
escondendo os vazios d'ela!

O corpo por ti pintado,
em rasgos de obsessão, da mulher de destino traçado
em ser objecto sonhado,
com perfídia te oculta
o contínuo repetir do pecado,
a maquiavélica culpa,
de,
com o seu corpo marcado,
amarrar o teu ao seu fado,
que a tua inocência insulta!

Mas qual guerreiro valente,
com seu sangue derramado,
em telas deixa a promessa ardente,
de pela arte viver
para sempre apaixonado!

25 de Janeiro de 2005 - 00:57h



   

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